quinta-feira, julho 20, 2006

Mercado de S. Lourenço provisório


São temporárias, mas pela qualidade podiam ser definitivas. As infra-estruturas do mercado provisório de S. Lourenço, que abriram hoje ao público, deixam mesmo envergonhado o original, que vai entrar em profunda reformulação nos próximos dois anos. Bancadas novas, muita iluminação e melhores condições de higiene são algumas das mais valias apresentadas pelo vice-presidente do Conselho de Administração do IACM, Raymond Tam, que fez uma visita guiada à imprensa ao mercado provisório de S. Lourenço na terça-feira.

Segundo revelou o responsável, as obras de preparação das infra-estruturas provisórias custaram 6,5 milhões de patacas. Para isso, foi aproveitado um antigo armazém governamental, localizado junto ao mercado de S. Lourenço original, que foi reconvertido. No entanto, no final do processo, o edifício volta para o controlo da RAEM.

O mercado provisório mantém praticamente os mesmos postos de venda do que o anterior. Além disso, as condições de higiene e funcionamento sofreram claras melhorias. "Os comerciantes estão satisfeitos com estas instalações", garante Raymond Tam.

Quanto ao processo de mudança dos vendilhões e comerciantes, "tudo ficou resolvido através da comunicação", garante o vice-presidente do Conselho de Administração do IACM. Hoje, ambos os mercados vão estar fechados, para que os vendedores possam proceder à passagem das mercadorias de um local para o outro. A partir de amanhã, já é o provisório que abre portas, enquanto o original conhece o primeiro dia de um encerramento que deve durar dois anos, o tempo necessário para a sua substituição por um novo edifício.

O futuro mercado de S. Lourenço vai ter sete pisos, três dos quais subterrâneos, dedicados a estacionamento. O mercado vai ocupar dois andares, sendo que estão ainda planeados uma biblioteca, um centro de actividades sociais e uma área de restauração. No topo do edifício, vai existir uma zona verde. O custo total da obra está previsto em 114 milhões de patacas.

Segundo Raymond Tam, o IACM decidiu reformular o mercado de S. Lourenço porque o edifício estava "muito degradado". O responsável acrescenta ainda que as obras só devem arrancar em meados de Agosto, após alguns trabalhos de preparação.

O processo de demolição do edifício actual do mercado para construir um novo não foi pacífico. Apesar do apoio dos moradores, que defendiam o projecto pela necessidade de mais estacionamento na área e de melhores condições de vida, a Associação para a Protecção do Património Histórico e Cultural de Macau opôs-se sempre. No entanto, o IACM decidiu mesmo demolir a estrutura, construída em 1954 e projectada por Chan Kwan Pui, um dos mais importantes arquitectos de Macau do século XX.