segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O meu é maior do que o teu

Diz um famoso anúncio que o tamanho não interessa, mas sim a utilização que se lhe dá. Nada a opor – os maiores venenos vêm em embalagens pequenas, com nomes estranhos como “Estrela da Amadora” – clube de má memória não só para a banda das Antas, mas também para mim, visto que venceu o clube da minha terra, o Farense, na única final da Taça de Portugal que este disputou.

O certo é que, em coisas de futebol, o tamanho não é assim tão menosprezável – principalmente em conversas de café, onde são os instintos básicos que dão vitórias morais e não os argumentos “proustianos”. É por isso que um qualquer benfiquista deve andar sempre prevenido com um pequeno grupo de factos pronto a disparar a qualquer momento: clube luso com mais campeonatos ganhos, mais Taças de Portugal e mais finais europeias disputadas (e perdidas, é certo). A estas, somam-se ainda o maior estádio de Portugal.

No entanto, como tudo na vida nestas coisas de tamanho, a melhor promoção é aquela que é feita pelos outros. Por isso, é sempre importante ter um recorde Guiness na mão para apresentar. E, desde Novembro do ano passado, que o Benfica é o clube com mais sócios do mundo, tendo ultrapassado o Manchester United, agora do milionário norte-americano Malcom Galzer. O que significa que, cada vez que o Glorioso sobe ao relvado, há mais pessoas a sofrer nas derrotas e mais festa nas vitórias.

Entretanto, já outros vieram dizer que ultrapassaram os 160 398 sócios activos do Benfica. Porém, até aquela que é a principal instituição reguladora dos recordes mundiais homologar a situação, essa é uma coroa que pertence ao “Glorioso”. Porque, na edição 2007 do famoso “Guiness Book”, esse é um máximo escrito a “encarnado”.

Certo é que o Benfica é um clube com estratégia global. A recente contratação do jovem Yu Dabao, com 18 anos, é sinónimo disso: os encarnados querem entrar no Império do Meio e roubar potenciais adeptos ao Manchester United, Real Madrid ou AC Milan. Afinal, tal como os empresários que há uma semana acompanharam a visita do primeiro-ministro português José Sócrates à China, também o Benfica se quer projectar a Oriente.

Para já, a aposta está a ser ganha. O antigo jogador do Quinddao Hailifeng marcou três golos no jogo de estreia pela equipa júnior dos “encarnados”, fez uma assistência e mandou duas bolas ao ferro da baliza. Com a vantagem de, ao contrário de Derlei, saber qual a utilidade legal dos cotovelos num jogo de futebol. Falta deixá-lo crescer, para também começar a facturar no campeonato do “merchandising”.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Coisas simples


Trabalho do Grupo terapêutico de crianças expostas à violência inter-parental - SVF - HSC

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Basílio Horta defende que mão-de-obra lusa é barata

"Custo de mão-de-obra competitiva". Este foi um dos motivos salientados no sábado pelo presidente da Agência Portuguesa para o Investimento (API), Basílio Horta, para os investidores apostarem em Portugal. Após declarações no mesmo sentido por parte do ministro da Economia português, Manuel Pinho, terem originado grande polémica em Lisboa, Basílio Horta voltou a apresentar os baixos salários lusos no contexto da União Europeia como uma mais-valia.

Na apresentação sobre a economia de Portugal levada a cabo pelo dirigente da API no Fórum de Cooperação Económica e Empresarial Portugal-Macau 2007, a ideia foi colocada de forma clara e inglês, para ser mais facilmente entendível pelos investidores estrangeiros.

"A mão-de-obra portuguesa é conhecida pela motivação, adaptabilidade e vontade para trabalhar", pode ler-se. "Apesar do aumento da qualificação laboral, necessária para apostar em maior valor acrescentado e produtos mais competitivos, os ordenados continuam a ser baixos no contexto europeu", acrescenta o "power-point" de Basílio Horta.

Perante uma plateia de empresários chineses e portugueses, o presidente da API salientou como outros motivos para investir em Portugal a excelente localização do país, boas infra-estruturas e um ambiente de negócios favorável. O Plano Tecnológico e os laços com o continente africano e o Brasil foram também destacados.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Portugal não soube usar história

Portugal não aproveitou economicamente a ligação histórica a Macau. O reconhecimento é feito pelo antigo Encarregado do Governo no território, Murteira Nabo. No entanto, o responsável acredita que, pela primeira vez, existe uma aposta estratégica lusa na China.

"Nunca conseguimos agarrar bem a ligação histórica e converte-la em relações económicas", explicou Murteira Nabo. No entanto, "pela primeira vez em Portugal, a China passou a ser uma prioridade estratégica", reconheceu. "Fui durante seis anos presidente da Câmara de Comércio Luso-Chinesa e tinha um discurso deste género, mas não havia grande espaço - agora, sinto que há", avaliou, à margem do Fórum de Cooperação Económica e Empresarial Portugal-Macau 2007, que decorreu no sábado, na RAEM.

Murteira Nabo aproveitou ainda para elogiar o crescimento do território. "Venho aqui com alguma regularidade, mas mesmo assim fico admirado com a expansão", admitiu. Por isso, para o responsável, "Portugal tem que estar em Macau e ligar-se à China por aqui".

Economia, economia...

A síntese dos motivos que trouxeram Sócrates a Macau resume-se numa escolha. A meio da tarde de sábado, quando a agenda oficial do primeiro-ministro ia já com cerca de uma hora de atraso, o governante cancelou um passeio a pé pelo centro da cidade, onde iria contactar com algum do património de raiz lusa no território. Ao invés, preferiu participar num fórum à porta fechada, organizado pelo "Diário Económico", e onde marcaram presença alguns dos principais empresários que integraram a sua comitiva.

Os atrasos foram mesmo uma constante na agenda de Sócrates. A começar pela sua chegada ao território, na sexta-feira, que aconteceu com meia hora de atraso. Cerca de trinta minutos foi também o que um grupo de alunos da EPM teria que esperar, na manhã de sábado, para acompanhar o primeiro-ministro no seu típico "jogging" matinal.

O que nunca falhou foi o relógio económico do governo luso na RAEM. Enquanto o ministro do Transportes, Obras Públicas e Comunicações, Mário Lino, visitou o Aeroporto Internacional de Macau e o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, conheceu a sede do Banco Nacional Ultramarino, Sócrates apadrinhou a assinatura de cinco acordos económicos, durante o Fórum de Cooperação Económica e Empresarial Portugal-Macau 2007. Por fim, o primeiro-ministro voltou a salientar a importância estratégica de Macau como entrada de Portugal na China. Estavam cumpridos os desígnios económico e político da deslocação. Faltaram os outros.

domingo, fevereiro 04, 2007

Sócrates diz que Portugal conta com Macau como intermediário económico para a China

"Queremos que Macau seja o ponto de entrada de Portugal na China, tal como Portugal pode ser a porta para os produtos chineses na União Europeia e África". Esta foi a ideia-chave do discurso ontem proferido pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, na abertura do Fórum de Cooperação Económica e Empresarial Portugal-Macau 2007, que reuniu empresários lusos e chineses.

Num tom claramente económico (a ocasião assim o exigia), o governante nunca salientou a importância do território como mercado autónomo, encarando-o sempre como uma plataforma de projecção para o Continente - uma estratégia que, nas suas palavras, tem o apoio do Executivo e empresários da RAEM. "Damos prioridade à China", frisou.

PONTES ECONÓMICAS. "Sentimo-nos sempre em casa em Macau", começou por dizer Sócrates, salientando novamente o facto de ser o primeiro chefe de governo português a visitar o território após a transição da administração. A RAEM "tem crescido exponencialmente", frisou, acrescentando que isso dá "particular orgulho a Portugal".

Feito o elogio, chegou a economia. Neste campo, Sócrates garantiu que podia já fazer um "balanço positivo". Sintomático disso é que, se muitos protocolos foram assinados durante o périplo a Pequim, Xangai e Macau, o governante garantiu que, no futuro, "muitos mais acordos se assinarão".

Para estimular esse sucesso, o primeiro-ministro defendeu a importância da RAEM como uma ponte não só ao investimento português na China, mas também em sentido contrário: "Contamos com o território para dar o seu contributo na melhoria das relações luso-chinesas". Mas não só: "Macau representa o espaço de encontro entre a China e os países de expressão portuguesa", acrescentou.

Sem nunca sair do enfoque económico, Sócrates salientou ainda que "a relação entre Portugal e Macau é garantia que damos prioridade à China - empenhar-nos-emos particularmente para que assim seja para melhorar as ligações económicas". E rematou: "Macau expressará sempre para Portugal as nossas ambições no Oriente - contamos com os macaenses para reforçar as relações entre os dois povos".

Associações empresariais garantem que visita à China deu frutos

É uma ideia generalizada junto da população portuguesa: poucos negócios são concretizados pelas delegações empresariais que acompanham usualmente as deslocações do primeiro-ministro e do Presidente da República. No entanto, o vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), Vítor Neto, e o vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José Manuel Fernandes, garantem que não é bem assim. Ambos integraram a comitiva empresarial de José Sócrates à China.

"A população erra: há frutos e muito importantes" nestas deslocações, garantiu ontem Vítor Neto, dando o exemplo da visita do primeiro-ministro a Pequim, Xangai e Macau. "O contacto directo de uma dezenas de empresários com a realidade económica, empresarial e humana da China é uma experiência riquíssima, que permite modificar ideias e ver melhores oportunidades", explicou.

O vice-presidente da AIP frisou que a visita de Sócrates reforçou as ligações entre o Estado português e as autoridades de Pequim e de Macau. "Isso dá um apoio e uma força extraordinária aos empresários", assegurou o responsável. Porém, Vítor Neto frisou que "não se pode esperar destas visitas os negócios todos do mundo".

O dirigente associativo fez também questão de frisar que "não é o Governo que vai fazer negócios". E acrescentou: "Os empresários é que têm que saber aproveitar". Até porque "é mais fácil do que julgam vir para China - não é uma coisa transcendente", disse.

Apontando resultados práticos da deslocação a Macau, Vítor Neto salientou a criação do Centro de Distribuição de Produtos Portugueses na China e a assinatura de um protocolo com associações locais na área do sector das convenções e feiras (também conhecido como MICE). Neste último caso, explicou que isso significa que, nas próximas feiras a decorrer em Macau, os representantes portugueses vão ter a participação "facilitada" e vice-versa. Por outro lado, podem ainda ser delineadas estratégias de complementaridade entre Macau e Lisboa como centros internacionais da indústria MICE.

AEP SUBLINHA POLÍTICA. Para José Manuel Fernandes, é "muito importante" as missões económicas "terem um enquadramento político - é a infra-estrutura destas relações", frisou. Também contrariando aquela que é a opinião de muitos, o vice-presidente da AEP assegurou que este tipo de iniciativa dá frutos - há é acções que "têm consequência mais tarde", explicou.

O responsável frisou ainda que Portugal não pode ter medo de se internacionalizar - esta é mesmo uma fatalidade para os empresários lusos, face às limitações do mercado local. E não há que ter medo de "bichos papões" - "isso de termos dificuldades em trabalhar com uma economia muito maior [como a China] é psicológico", rematou.

Futebol e poesia

Se o golo é o orgasmo do futebol, então a bola no ferro deve ser o coito interrompido. Um quase auspício de adrenalina, um quase sabor a céu, para tudo terminar de nó na garanta e boca seca. E, na sexta-feira, o Benfica ficou no quase... por quatro vezes.

Canta a brasileira Rita Lee que "Amor é um livro/Sexo é esporte/Sexo é escolha/Amor é sorte". Pois não foi por falta de paixão que a bola teimosamente não entrou na baliza à guarda de William. Nem por falta de tentativas... Terá sido mesmo apenas por falta de... sorte.

"O sorriso de William - nada exuberante, quase infantil mesmo - quando o electrizante jogo chegou ao fim, era o espelho fiel do sentimento de alívio e satisfação plena que, por certo, invadiu não só o guarda-redes do Boavista como toda a sua equipa", escrevia Sílvia Freches, uma boa amiga com quem aprendi muito sobre jornalismo, na edição de ontem do "Diário de Notícias". Eu acredito. Mas não deixo de lamentar esse sorriso, que significou os primeiros pontos perdidos na Luz esta época e que pode ter custado ao Benfica as últimas esperanças para o título. Sonhemos que não.

Nos tempos em que o futebol era apenas poesia, em que as tardes soalheiras de domingo eram passadas no estádio, em família, talvez isto não importasse. Essas eram alturas em que o mítico George Best, a primeira "popstar" do futebol e também conhecido como o quinto Beatle, podia aparecer bêbado nos treinos e dizer coisas simples como "gastei muito dinheiro em bebida, mulheres e carros desportivos - o resto simplesmente desperdicei-o". Eram alturas em que o Vítor Baptista podia parar uma partida, colocando a equipa adversária de cócoras porque... tinha perdido o brinco. E, permitam-me a nostalgia, eram alturas em que o Farense, o clube da minha cidade, jogava na principal divisão portuguesa e ir roubar pontos ao sul não era uma façanha ao alcance de todos.

Hoje, o futebol prostituiu-se. É indústria, é dinheiro. É camisolas vendidas, direitos de imagem cedidos, bilhetes cobrados. É ter tido um antigo presidente da Casa do FC Porto no Luxemburgo a dirigir os destinos do futebol "encarnado", é ver o pé teleguiado de Beckham fugir para os Estados Unidos e a elegância de Figo ir correr em relvados mantidos a preço de ouro (ou petróleo)... Agora, a sorte (ou a sua falta) conta-se em lucros e prejuízos.

São sinais do tempo, bem o sei. E a culpa, verdade seja dita, não pode ser imputada aos jogadores - numa carreira de curta duração e alto rendimento, a lei da oferta e da procura traçada por Adam Smith faz ainda mais sentido. No entanto, porque um coração não é uma folha de cálculo e a "clubite" é irracional, não deixa de causar um ligeiro arrepio na pele ver Derlei a vestir a camisola do Benfica. Não pelo avançado - uma boa contratação, caso esteja em forma -, mas sim por aquilo que o "Ninja" simboliza: os melhores anos do FC Porto, aqueles da Taça UEFA e da Liga dos Campeões que, nós, benfiquistas, publicamente menosprezamos mas que, lá no fundo, não conseguimos deixar de invejar.

No entanto, na sexta-feira, o Derlei era já um dos nossos. E quanto não teria sido bom ele ter acertado no fundo da baliza... Afinal, a Rita Lee é que tem razão... "O amor nos torna patéticos".

sábado, janeiro 20, 2007

Arte nian-hua

Ar de Macau foi "insalubre" em um terço de Dezembro

A qualidade do ar observada nas quatro estações medidoras de Macau variou entre "bom" e "insalubre" durante Dezembro, indicam dados dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos. A classificação "insalubre" foi registada durante nove dias na Estação de Alta Densidade Habitacional (ADH) de Macau, cinco dias na Estação Ambiental e quatro dias na Estação de Berma da Rua.

Quando o estado do ar é "insalubre", as pessoas com problemas respiratórios e cardiovasculares devem reduzir o esforço físico e evitar actividades ao ar livre.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Macau vai receber restaurante às escuras

Macau vai receber em breve um restaurante onde se come sem luz. A notícia foi avançada ontem pela agência noticiosa Xinhua, citando uma fonte da empresa envolvida.

Neste tipo de restaurantes, também conhecidos como "o estômago da baleia", as refeições são servidas e ingeridas totalmente às escuras. O primeiro estabelecimento do tipo na Ásia vai abrir no sábado, em Pequim. No entanto, a empresa promotora pretende alargar o conceito a cidades como Macau, Xangai, Guangzhou, Dalian, Hangzhou e Hong Kong. Em pouco tempo, a cadeia espera inaugurar 30 restaurantes "estômago da baleia" na Ásia, 15 dos quais localizados na República Popular da China.

Este conceito de restauração foi introduzido por um padre cego, que criou o primeiro estabelecimento às escuras em 1999, em Zurique, na Suíça.

"Macau precisa de melhorar a política de espaços públicos"

Macau tem uma necessidade evidente de melhorar os seus espaços públicos. A opinião é do arquitecto Nuno Portas, professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e especialista nas áreas da reabilitação urbana e protecção do património. Para o académico, isto pode ser feito através de uma intervenção focalizada em várias zonas, nomeadamente nos espaços degradados do território. Como na acupunctura, exemplifica Nuno Portas, acrescentando que, para isso, "é preciso paciência de chinês".

Para o arquitecto, que está na RAEM a participar como orador num curso de preservação do património (ver caixas), "melhorar o espaço público e os equipamentos" são formas fundamentais de aumentar a auto-estima da população e devolver a cidade aos seus habitantes.

"Aparentemente, a cidade oriental faz-se cada vez mais através de objectos espectaculares e os arquitectos vão atrás disso", lamenta. Mas, de acordo com Nuno Portas, "as boas cidades, aquelas de que se gosta, foram feitas sobretudo através do espaço público, isto é, das avenidas, dos largos, dos parques ou das baías".

É neste aspecto que Nuno Portas mais lamenta a estagnação de Macau. "Após o NAPE, não me parece que tenha sido feito muito mais trabalho de modernização da infra-estrutura", considera. "A infra-estrutura urbana, aquela que cria urbanidade e que se constrói antes de se erguerem os edifícios, continua a andar para trás", aponta.

O especialista de créditos firmados internacionalmente garante que não traz medidas mágicas para os problemas do território. "As soluções em Macau não são as mesmas que se recomendam para a Baixa de Lisboa ou as que se usaram no Porto ou em outras cidades mais famosas", frisa.

Apesar disso, o arquitecto tem algumas ideias. "Tratar o centro histórico de hoje é uma questão política e técnica muito conflituosa", afirma. Ainda assim, depois da fase classificação dos edifícios, Nuno Portas considera que chegou a hora do espaço entrar na agenda das autoridades da RAEM. "Tem que se passar agora para a escala das ruas e praças", atira.

Nuno Portas é claro ao considerar que as autoridades locais têm feito um bom trabalho na conservação do património, pelo menos no que diz respeito ao sentido clássico do termo - os monumentos. Mais difícil é o tipo de conservação que se projecta actualmente, de carácter urbano, diz. A preservação de "bocados inteiros de cidade é mais complicada", desabafa.